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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Você...


Ainda não entendeu tudo que se passa na minha mente. Ainda não entendeu a gravidade de cada momento só nosso. Ainda não aprendeu o quanto eu gravo e cravo na alma cada detalhe seu. Ainda não percebeu a dimensão do que eu sinto. Ainda não me conheceu o suficiente para ter medo de mim. Ainda não me entende. Ainda não percebeu o que quero dizer com o meu olhar. Ainda não sabe os significados de cada sorriso meu. Ainda não percebeu o quanto eu sou inocente. Ainda não viu meu lado mulher.

Mas eu tenho uma noção mínima do que você está pensando. Eu sei o quanto é bom - e perigoso - está sozinha contigo por um simples segundo. Eu guardo de você tudo que você tem de melhor e pior. Eu sei, tenho plena noção disso, que o que eu sinto simplesmente não tem dimensão. Eu já te conheci sim, o suficiente pra confiar para todo o sempre em você. Eu te entendo. Eu entendo cada olhar seu. E cada sorriso também. E sei também que você não é nem um pouco inocente. E também já conheci um pouco do que você tem de homem.


MarinaV.


Para ele. (;

Papai Noel não existe



Ela chorava, chorava e chorava mais um pouco. Seus soluços eram baixos, mas por dentro algo gritava, um grito alto e ao mesmo tempo abafado, um grito que apenas a sua alma ouvia e que representava toda a dor que ela sentia. Ela descobriu tudo. Então, tudo era uma farsa... Uma mentira de anos e mais anos... Uma mentira que quebrou sua inocência, uma mentira que lhe partiu no meio diversos sonhos, que quebrou a sua magia de Natal.

Durante todos aqueles maravilhosos dias de Natal, era esperou para descobrir como ele era. A figura do bom velhinho. Ela planejava toda vez ficar acordada até o amanhecer e descobrir como ele era, qual era o seu jeito e o que ele faria quando a visse. Porém, esse dia nunca chegou.

Ali, trancada no seu quarto, encolhida dentro do seu guarda-roupa, ela chorava cada lágrima de dor que o impacto da verdade lhe causara. Alguns anos mais tarde, ela refletiria sobre esse dia, iria rir da sua inocência de tanto ter chorado, mas iria concluir o quanto a realidade dói muito em uma criança, e o quanto a realidade é fácil de aceitar para o adulto. Aquele foi seu primeiro pequeno grande passo para a sua mente adulta, mas isso só mais tarde ela iria entender.

Agora ela sofria muito com a verdade. Seu plano foi um triunfo, mas também um fracasso. Seus pais batiam na porta, lhe chamavam... Mas ela ignorava. Agora doía demais, tudo doía demais... A verdade é horrível. É cruel. É escura. É um labirinto que nos prende e do qual nunca mais saímos... É um labirinto que nos mata por dentro e cria essa imagem inútil de gente adulta, de grandeza, de sabedoria, quando os sábios mesmo são as crianças.

A verdade doía. Mas depois que é descoberta, não há mais mentira no mundo que consiga tapar o buraco que ela cria. Ela encostou sua cabeça na porta do guarda roupa, ainda com as lágrimas afogando o seu rosto, e repetiu para si mesma, para se convencer de tudo:

- Ele não existe. Papai Noel não existe...


MarinaV.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Você voltou


E então, finalmente resolveu fazer as pazes comigos. Resolveu tirar todas as minhas desilusões, mas não todos os meus medos. Não importa, pois mesmo assim, você me devolveu a confiança que eu estava precisando, você me fez reencontrar aquilo que há tempos eu procurava, mas não estava encontrando.


Você voltou. O amor retornou para o meu vazio e preencheu todo o vácuo que havia lá. O rancor, eu já não conheço mais. A tristeza deu espaço para a alegria. Eu fico rindo à toa de lembranças das mais diversas, e sei que não é tão à toa assim que eu estou sorrindo. Porque, no fundo, todo o sentido se volta para lhe abrigar novamente, amor. Tudo gira em torno da sua volta, em torno do seu retorno para o meu coração.


E apesar de pensar as mais diversas besteiras, eu sei que você voltou e vai se instalar aqui por um bom tempo. Eu vou lhe abrigar bem desta vez, não vou mais deixar você fugir de mim como antes. Agora eu estou mais confiante.


E então, amor, eu deixo que você me tome. Deixo que você me envolva, que me faça me sentir patética novamente, que faça com que meu coração acelere cada vez mais, que eu me perca em cada abraço, em cada olhar, em cada beijo, em cada sorriso, em cada brincadeira, em cada sensação, que apesar de conhecida, sempre será nova como a primeira vez.


Pode voltar, amor. Eu deixo você se instalar aqui, em mim.


MarinaV.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Intrigas

- Você soube do que ele disse sobre você?
- Ah, mulher, me conta, quero saber!
- Ele disse que te achava uma metida infantil, disse que tu jamais seria mulher pra ele...
- O QUÊ?!!! Rá, rá... Ele é que nunca vai ser homem pra mim, ok, amiga?!
- Amor, como você tá?
- Nem vem com essa hoje, queridinho, que eu já soube que você espalhou pra Deus e o mundo que eu era metida e infantil, e que jamais seria mulher pra você.
- Foi que ela quem falou, não foi? Eu já te disse pra tu não dar bola pra essa menina, que ela é louca! Qual foi o dia em que você decidiu chamar ela de amiga, hein? Com certeza, cê tava surtando...
- Ela também me disse que você acha que eu nunca serei mulher pra você...
- Ah, amor, deixa de besteira. Eu te amo, minha linda, você é mulher demais da conta pra mim!
Beijos e abraços.
- E aí, benzinho? Quando vamos nos encontrar?
- Acabei de deixar ela em casa... Por que diabos tu disse o que eu te falei pra ela, hein? Tá louca? Quer que ela descubra tudo entre a gente, é?!
- Ah, amor, eu quero é que ela saia do meu caminho, você é meu!!
- Tô chegando aí.
Desliga celular.
- Maninha, eu tenho certeza que ele tá saindo com ela. Certeza!!
- Cala a boca, sua idiota! Ele gosta de mim, lógico que ele gosta de mim...
- Olha amiga, eu acho que a sua irmã tava certa no final das contas... Ele realmente tava te traindo.
- E eu fui tão cega e burra por não ter acreditado em todas vocês... Me desculpem.
- Relaxa, amiga, fica calma que já já aparece alguém que realmente te merece.
- Eu larguei ele.
- Aff, né? Depois de ter feito nossa amiga sofrer o que sofreu quando descobriu tudo, tu larga ele? Depois de ter conseguido tudo o que tu queria?
- Ele me traiu.
- Ah, desculpa aí, mas bem pregado pra você, né? O boomerangue uma hora sempre volta.,.
- Com um amigo gay nosso.
- Meus pêsames, amiga.
- Ah, colega, mas que roupa mais down é essa? Parece que tá indo pra um velório! Vamos já trocar esse funeral aí por algo mais up, eu hein...
- Ah, amigo, eu to meio pra baixo mesmo... Nem um pouco afim de me arrumar...
- Mas justo hoje? Que o bofe vai tá lá? Ne-ga-ti-vo, amiga! Você tem que ir, sim! Linda, gata e gostosíssima, do jeito que eu sempre vi!
- E cadê mesmo o teu bofe, hein amigo?
- Ah, mulher, ele não passa de águas passadas...
- O que aconteceu, amore?
- Ele me chifrou, colega. É isso aí. Com um bofe podre de feio, ridídulo! Mas enfim, fazer o quê né? Quem tem mal gosto que se vire com o azedo!
- Nossa, que ironia, eu também fui traída há pouco tempo...
- Aí é que vem o mundo pequeno, amiga! Ele tá com o teu ex, colega!
- Nossa, ele realmente tem mal gosto...
- Olha, amiga, eu nunca deixaria você ficar com aquilo ali, NE-VER! Próxima vez, pede minha opinião, tá? Vê se não faz besteirinha de novo, ok?
- Tá certo, amigo. Obrigada por ter ajeitado o meu visu.
- De nada, amiga. Cê tava precisando, viu?!

MarinaV.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Infinito


Tudo começou com uma simples sala de aula que - apesar de simples - era seu ambiente de convívio durante mais da metade do seu dia. Ela estava no fundamental ainda, 2º ou 3º ano. A professora, assim como os alunos, cansada de tarefas, resolveu passar, naqueles últimos dias de aula, um simples desenho. O tema era livre. E ela tinha lápis à vontade para pintar toda uma folha. E um tempo enorme para fazer aquilo... Iria ser um desenho longo, cheio de cores e vibrações.

Porém ela lembrou do colar da irmã. Aquele colar que ela achou no lixo. O colar da moda. Afinal de contas, quem ainda não tinha um colar com o símbolo do infinito? Todas as meninas tinham um para enfeitar o pescoço. Mas a irmã recusara aquele, ou melhor, usou-o por pouco tempo, pois quem havia lhe dado era o seu namorado, o qual ela tinha se separado justamente no dia daquele momento de arte do colégio. Ela tinha visto a irmã chorando antes de sair de casa, e viu também a irmã indo pro colégio enxugando cada lágrima, cada mágoa... Até que por fim, atirou o colar na primeira lixeira da escola.

Aquele colar tinha o símbolo do infinito. Sua mãe lhe explicara que o infinito era algo que não tinha fim, não tinha tamanho, não tinha dimensão. "E o que é infinito, mãe?", perguntou ela, quando sua mãe lhe disse que infinito era o amor que tinha por sua família, que infinito era o Universo. E então a menina agora sabia o que era infinito.

E ali, no papel branco, desenhou um fundo azul estrelado, com três caixas no meio, todas enlaçadas por um laço lindo e enorme, que deixava as três caixas juntas e inseparáveis, uma laço vermelho e forte. Acabou seu desenho antes que os outros alunos, pois não usou muitas cores. Usou apenas três cores, uma para cada caixa: azul, rosa e verde. E então, finalizando o seu quadro artístico, simplesmente parou e foi pegar uma revistinha em quadrinhos para ler.

Depois de algum tempo, quando a professora resolveu passar por cada aluno para ver como estava o andamento das obras de artes, parou em uma menininha ruiva, de cabelo cacheado, muito branquinha e dos olhos verdes, com as bochechas bem vermelhinhas, simplesmente lendo um gibi. E então seguiu-se um diálogo inesquecível e lindo, que ficará para sempre na memória daquela professora.

- Já terminou, minha linda?

Ela respondeu sem desgrudar os olhos da revistinha: - Sim.

- E eu posso ver o seu desenho?

- Pode, ele está aqui - E então ela entregou o papel do desenho, ainda focada no gibi.

A professora, depois de muito analisar o desenho, perguntou:

- E para quem são esses lindos presentes?

- Para todos nós - respondeu a menina, agora olhando para a professora.

- E eles couberam apenas nessas caixinhas?

- Na verdade, eles cabem dentro de cada um de nós...

- Como assim?

- Esses presentes são a esperança, que é a caixa verde, a paz, que é a caixa azul e a bondade, que é a caixa rosa. Todos eles têm que ser enlaçados com o amor, que é o laço vermelho, para terem a dimensão do infinito, que é o Universo, onde as três caixas foram colocadas.

- De onde você tirou toda essa ideia? - Perguntou a professora, intrigada com o que a menina tão nova lhe disse.

- Minha mãe me disse o que era o infinito. E aí eu fiz esse desenho. Esse laço vermelho, que representa o amor, tem a mesma forma do símbolo do infinito.

- E por que você desenhou isso?

- Porque eu quero mostrar esse desenho para a minha irmã. Explicar para ela que seu namorado não teve um amor infinito por ela. E que, por isso, ele deixou apenas a tristeza, a maldade e a raiva no coração dela. Mas ela ainda vai achar alguém que saiba amá-la infinitamente, alguém que plante nela a paz, a bondade e a esperança, para que assim ela ache o seu Universo.

MarinaV.

sábado, 23 de outubro de 2010

Unhas por fazer


Moça, que unhas são essas? Essas unhas que ainda não foram feitas, essas unhas por fazer... Com o esmalte "comido" e quebrado, trinchado como este seu lindo que rosto que agora parece chorar. Mas moça, por que choras? Por que não vais ao salão fazer tuas belas unhas, que estão grandes e bonitas, que definem esta tua mão tão feminina? Por que mesmo, moça?

Moça, não negues, você está abatida. Essas suas unhas atrasadas não negam que esta cor é antiga. Sua não preocupação com elas é preocupante. Você ignora seu orgulho e sua beleza, moça, para ficar abatida nessa cama, pensando nos problemas da vida. Mas moça, vamos ao salão. Vamos fazer estas belas unhas, pintá-las com a cor da volúpia, te iluminar e realçar esse teu tom claro de pele, com cores fortes e penetrantes.

Moça, pinta estas tuas unhas com aquele vermelho que tu tanto gostas. Com aquele vermelho bem forte e contrastante. Aquele vermelho que reveste teu pobre coração, que agora é quebrado como este esmalte velho que luta para permanecer nas tuas unhas. Vamos moça, levanta-te. Não se deixe abater com a vida. Só sobrevive quem aguenta a pancada mais forte. Reluz a tua beleza, moça. Vamos ao salão fazer as unhas.

Te levanta moça, ergue-te e vamos.

Olhar da intimidade


Desde pequena, enxergava algo errado nos olhos das pessoas. Percebia que ia muito de acordo com a simpatia do olhar. Dependendo do olhar das pessoas, eu aceitava ou não a presença e a fala delas. O olhar era algo sagrado para mim. Algo que tinha um significado muito além do que o que eu poderia imaginar, ainda criança, ao mesmo tempo que é algo muito fácil de entender agora, já um pouco mais madura.

Gostava dos olhos da minha mãe. Além de serem bem sinceros, eram olhos sofridos, olhos de alguém que já havia passado por muita coisa da sua longa trajetória da vida, coisas que eu futuramente iria saber detalhadamente, mas coisas que me foram ocultas na infância por me acharem ainda inocente demais. Porém, ninguém sabe, mas hoje eu sei o quanto não fui inocente e o quanto tive pouco de criança.

Gostava dos olhos do meu pai. Eles sempre demonstraram seu estado de espírito, eram como uma porta aberta para saber como estava o seu humor e a sua cabeça. Sempre foram. Eles me passavam uma sensação de superproteção da qual eu acreditava que nada no mundo seria capaz de me atingir física ou psicologicamente, e mais tarde, durante o seu mestrado, descobriria o quanto passaria horas inúteis tentando dividir meus acontencimentos diários e depois de muita fala, descobriria olhos vazios vagando por um passado histórico que não muito me interessa, nunca me interessou muito.

Mais futuramente, já entrando em um período de reviravoltas na minha vida, descobriria o olhar da minha irmã. Este sim, era o olhar da inocência. É o olhar que me dá alegria, que inúmeras vezes me fez sorrir simplesmente pelo prazer de fitá-lo bem seriamente e descobrir um sorriso no seu rosto infantil. Ela sim, teve e tem toda a criancice que eu jamais tive, e talvez seja por isso que eu me complete tanto quando estou com ela. Talvez seja por isso que minha vida vira um desencaixe sem o seu olhar.

Hoje, depois de tantas interpretações de olhares ao longo da minha vida, não me consigo imaginar sem observar olhares. Sem encaixar meus olhos nos olhos brilhantes e realistas da minha avó, sem descobrir o olhar protetor do meu primo, sem o olhar alegre das minhas amigas, sem o olhar preocupado delas quando me veem triste... Os olhares compõem minha vida.

Porém, o olhar que mais me agrada é o olhar da intimidade. É aquele olhar que eu descubro quando chego triste no colégio e ninguém precisa perguntar o que tenho, pois todos já sabem que eu estou triste, e que não importa o motivo, eles estarão lá para me ajudar. É aquele olhar quando você quer tratar de um assunto particular e aquela pessoa lhe chama pro canto. É aquele olhar de subentendidos após um beijo ou um abraço, aquele que se é fitado por apenas uma fração de segundo, e se fica guardado na memória como horas e até dias. É aquele olhar de duplo sentido, aquele que precede um beijo de amor fervoroso, um beijo que mexe com o mais profundo de um ser que realmente sente. O olhar da intimidade é o olhar que todos guardamos para nos revelar para aqueles que realmente amamos. Por isso, ele é o sinal de um grande amor ou de uma grande amizade.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Canto para o meu amor


Oh gosto armagurante que não sai do meu peito,

oh ausência de vida que me corrói...

Por favor, saia deste meu profundo leito

E retire esta dor que tanto me destrói.


Oh! Volte a ter o efeito,

por favor amor, oh amor herói,

retorne ao meu mundo perfeito

retorne e retire isso que me dói.


Esqueça as minhas loucuras

ditas e profeciadas.

Por favor, amor, me finja ternuras...


Esqueça das nossas brigas,

as minhas tragédias, das minhas manias,

e volte, amor, a fazer parte das minhas alegrias.


MarinaV.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ouro de tolo


Todos os dias eu acordo cedo e vou para o mundo das obrigações. Todos os dias eu ocupo os meus dias de preocupações, de responsabilidades e de conhecimentos. Todo dia eu leio sobre mil assuntos, entendo de política, filosofia, religião e matemática. Anoto detalhes de aulas e presto atenção no mundo.


Todos os dias eu faço a mesma coisa. E essa mesma coisa não preenche o meu ser que realmente vive, que ainda se diz vivo, mesmo que morto pelo cotidiano, dentro de mim. Aquele ser que sabe que a realidade é algo decadente, que a verdade dói muito mais que a mentira e que a ingenuidade é uma mentira vivida na infância na qual futuramente saberemos que jamais deveríamos sair.


Todos os dias eu tomo conhecimento de coisas absurdas, de coisas que não mudam em nada minha vida, de coisas que jamais usarei ou ensinarei aos meus filhos. Aprendo noções mirabolantes, que muitas vezes não entendo, estudo uma jorrada de conteúdos que nunca entendo a ordem nem o motivo, mas finjo que gosto e que quero prestar atenção.


Todos os dias me vejo trancada em uma sala cheia de gente que jamais saberá o que eu estou pensando e que jamais saberá da minha vontade de criar asas e voar para longe de tudo aquilo que me cerca. Porque enquanto estou ali trancada aprendendo uma série de coisas inúteis, poderia estar lá fora vivendo de viagens e vendo as paisagens do mundo, escutando os mais velhos contarem histórias da sua infância, escutando o barulho do vento no mar, sujando meus pés de areia, tirando fotos do azul do céu, prendendo flores nos meus cabelos, sorrindo sozinha para o sol, dançando no ritmo da brisa da noite...


Todos os dias tenho o desejo de me desacorrentar, de sair desse sufoco que me cerca. Mas continuo seguindo o cotidiano inútil de conhecimentos capitalistas, fingindo que estou aprendendo, fingindo que estou gostando. Enquanto isso, lá fora, o vento me chama para brincar na beira do mar, com flores nos cabelos, com um céu azul e um sol radiante.


MarinaV.

Taça de vinho


Perto do armário da cozinha há um balcão. Nele está uma taça. Aquela taça em que ontem eu bebi o vinho. Hoje todo o vinho que bebi se resume a uma dor de cabeça que me prende à cama, que me impede de me levantar e seguir o dia normalmente. Mas aquela taça não apagou nenhuma mágoa que você deixou em mim.


Eu ontem estava com a garrafa na mão. Sentada num canto do meu quarto, bebendo a taça de vinho, escutando boleros e pensando em você. Pensando em nós. E ainda não me conformei com o que aconteceu, ainda não entendi o que aconteceu. Mas agora, no pleno racional, finjo que entendo. Finjo que esqueci você.


Mas enquanto tomava o vinho, enquanto bebia aquele vinho, olhava para a cama e me lembrava dos nossos momentos. Me lembrava de como você sabia me deixar sem ar e me agradar. Por um momento cheguei a sorrir. Ao menos lembranças boas você soube deixar. Mas então, me recordei de toda a sua traição, e aos invés de risos, saíram lágrimas.


Já no final da garrafa, estava acompanhando o bolero sozinha. Não tinha mais nenhum par. Dancei por uma longe noite sozinha, usando a camisola de seda que você me deu, bebendo na taça de vinho que agora está ao lado da estante da cozinha, em cima do balcão e vazia. O vinho antes preenchera aquela taça, bem como o meu coração.


O vinho, por uma noite, foi o meu sangue, o meu suor e minhas lágrimas. Foi o meu amigo do peito que me consolou no leito de uma cama. Foi quem cantou uma canção de ninar para eu dormir, quem me fez companhia, agora que você não está aqui e quem ficou ao meu lado no bolero, dançando passos falsos, rindo e chorando junto comigo.


O vinho que agora realmente percorre o meu sangue foi meu companheiro, meu camarada, meu consolo, meu amor, o meu tudo-e-nada. E agora, toda essa nova amizade que se tinha feito se resume a uma taça vazia, ao lado da estante da cozinha, no balcão. O vinho também me abandonou. Você me abandonou.


Me levanto então da cama, com o mundo ao meu redor que gira, olho minha imagem decadente no espelho e vou ao armário da cozinha, pego outra garrafa de vinho, apanho a taça, ligo o som no bolero, e repito as mesmas cenas da noite anterior. Porque o vinho eu posso comprar, você não. O vinho, enquanto o dinheiro durar, vai me acompanhar, mas você não. O vinho vai preencher meu espaço vazio, vai dar razão aos meus sentimentos e ao meu coração insano, coisas que durante anos você não conseguiu fazer. E o vinho pode fingir me amar, coisa que você nunca teve competência para fazer.


MarinaV.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Minhas lágrimas


E eu já não sei mais o que fazer com essas lágrimas que me escorrem. Essas lágrimas que saem de mim querendo levar junto com elas a minha tristeza, mas a tristeza... Ela não sai tão fácil assim. Enquanto as lágrimas jorram, a tristeza penetra no local mais profundo da minha consciência e lá se armazena, procurando a calma de espírito bater, o rio de lágrimas parar de correr e finalmente, finalmente, algum sentimento racional se manisfestar e perguntar o por quê de tudo aquilo. Por quê há mágoa, por quê a mágoa, por quê o sentimento de culpa se eu não fiz nada?


As lágrimas não mais escorrem. Mas parecem que ainda percorrem as minhas veias, os meus nervos, os meus desejos e o meu cérebro. Porque eu simplesmente não sei o que pensar. Não há nada para dizer nem para falar. Agora o silêncio se apossa do meu ser e tudo se resume a essas palavras. Essas palavras que não são ditas nem pronunciadas.


E nesse momento meu pensamento parece que se resume ao nada. E por um instante minúsculo, pouco e pequeno eu sinto felizmente que viver sem pensar seria a solução de muita coisa no meu mundinho. Mas caio na real: se eu estou refletindo que viver sem pensar seria é bom, é porque estou pensando. E o sopro vital retorna. E tudo retorna.


Então eu me concentro em pensar na música "Tente outra vez" do Raul Seixas. Encontro algo que me estimule temporariamente. E vou finginfo que estou contente e feliz novamente. E de tanto fingir eu realmente fico. Caio nos risos dos meus amigos e volto ao normal. Ao que é supostamente normal: o cotidiano.


Mas me abato de novo quando penso que vivo em círculos capitalistas que vão e vem e me obrigam a seguir essa rotina entediante, que me obrigam a ser aprisionada a diversas responsabilidades e deveres a cumprir, que me obrigam a ser humana, limitada, pensante, errante e, no meu ver, idiota.


MarinaV.

domingo, 3 de outubro de 2010

Planos de Papel

Deus,
eu passo os sete dias úteis
traçando nove dias fúteis
fazendo planos de papel
em quartos cinzas de aluguel
e eu vou dormir...
Entre as paredes do hotel do sossego, meu amor

Sim, no contracanto do meu leito
guardo um punhal cravado ao peito
tingindo a cama e o lençol
por uma fresta me invade o sol
e vou deitar...
Entre as palmeiras desenhadas nos jornais, meu amor

Ah, mas que você espera de mim?
Que o consumado eu vá repetir, não...
Sim o que me importa nesse instante
é esse não importar constante
é esse sorriso que eu guardei
nessa gaveta a qual fechei
pra eu dormir...
Com a cabeça no lugar que eu deixei, meu amor...


Raul Seixas

segunda-feira, 27 de setembro de 2010


Teresina, 27 de setembro de 2010.


Mestre,


Hoje lhe escrevo esta carta de despedidas. Quero abandonar esta estação onde aprendi as minhas maiores lições, porque chegou a hora da minha partida. E Mestre, por favor, não tente me impedir, simplesmente me liberte como aquela borboleta que agora sai do seu casulo e abre as asas rumo à liberdade, rumo ao ciclo da vida, rumo ao vento. Por favor Mestre, me liberte.

Ainda me lembro dos nossos momentos, Mestre, me lembro de todo apoio que você me deu. Me lembro de toda atenção, de todo carinho e de todo cuidado para ensinar cada lição para mim, para fazer de cada palavra uma oração, um veredito, uma verdade universal que eu sempre tive que apenas aceitar, jamais contrariar ou opinar.

Mas Mestre, lamento ter criado opiniões. Lamento ter descobrido seus segredos e seus desejos, bem como seus defeitos. Eu tive que descobrí-los. Descobri que nem todas as suas verdades eram tão reais, tampouco as suas lições. Seus ensinamentos irei sempre levar, mas também guardarei no peito o seu ato de traição, para que fique bem marcado o quanto passei toda uma vida sendo enganada.

Mestre, minha razão sobressaiu à minha emoção, e agora, agora é muito tarde para reverter minhas ideias e voltar atrás. O passado é regado de boas lembranças, mas o presente me dói agora, ao descobrir que você mentiu pra mim. Você, Mestre, você tem defeitos. E o MEU MESTRE, pra mim, era perfeito. Você quebrou a linda taça do nosso amor, você a despedaçou, e agora mestre, cada caco dessa taça perfura cada lembrança sua que carrego na alma, e dói muito, Mestre.

Não sei quem vai retirar os cacos. Não sei em que ser irei me inspirar agora. Mas Mestre, você... Você me traiu. Agradeço ao seu serviço, agradeço à sua atenção, agradeço aos seus ensinamentos, mas agora eu vou partir. E vou seguir a minha vida sozinha. Talvez tenha algum discípulo e carregue responsabilidade semelhante à sua, de ser mestre. Mas Mestre, jamais mentirei para um discípulo meu.

Não se esqueça porém, meu Mestre, que para todo o sempre você será meu Mestre. Para todo o sempre serei sua discípula. E para todo o sempre, cada palavra de mágoa e de lição ficarão guardados aqui, nos meus cacos, ou no meu coração. Ainda lhe amo muito, Mestre...

Adeus, meu Mestre.

Da sua eterna discípula.


P.S: Para o meu Mestre.


MarinaV.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Meu desejo: Sociedade Revolucionária


Toda criança tem um sonho. E todo adulto também, bem como os adolescentes. Meu sonho, quando era criança, era ser várias coisas ao mesmo tempo. Queria ser médica, veterinária, dentista, atriz... E várias outras profissões. Não me lembro se tinha algum objetivo por trás de querer ser tanto de uma vez só, mas acho que era só loucura de criança mesmo.


Porém, hoje, aos meus quase 16 anos, enxergo que o meu sonho era está nas passeatas da Ditadura Militar, ou talvez ser a Princesa Isabel para assinar a abolição da escravatura no Brasil. Talvez, no meio da multidão das passeatas, eu sentisse a vibração de cada ser humano que ali presenciava, sentiria vibrações de seres revolucionários. E me alegraria. E sorriria. E me sentiria em paz.


Meu espírito é revoltado, meu cérebro é inconformado com o comum e o incomum dos dias de hoje é tão comum que não cabe nas minhas ideias. Eu abuso fácil, vou atrás com determinação daquilo que quero, procuro impor e expor o que eu penso, birro e bato o pé quando discordam ou revertem os meus valores e quero continuar assim, mesmo que tenha que continuar nadando contra um mar de pessoas perdidas e sem rumo que se deixam levar por modinhas. Porque para mim, o que realmente importa, é saber, acima de tudo, ainda criar e ter ideias.


Eu quero continuar pensando. Eu quero continuar sendo criativa e salvando o meu dia pensando loucuras e discutindo ideias por aí. E eu adoro o meu jeito de ser assim. Não vou deixar que uma sociedade de hipócritas e de zumbis venha tentar me corromper, me desviar daquilo que eu realmente sou e prender minha alma a um pensamento que vai contra minha ética, meus princípios morais e minha filosofia de vida.


Esse era o meu sonho. Uma sociedade que vibrasse revolução junto comigo. Mas meu sonho, como os sonhos de várias crianças, são ofuscados e destruídos por aqueles que apagam o meu brilho. E agora só me resta ser revolucionária sozinha...


MarinaV.

domingo, 29 de agosto de 2010

Vitrines de Carol


"Cansei do meu ser mais uma vez! Cansei de tudo e de todos! Os sentimentos não são o que há de melhor em mim, são o que há de pior! São horríveis! Odeio este meu coração que carrego, este meu coração que nunca escolhe por quem se apaixonar, este ser que levo dentro de mim e que tanto odeio!


Eu quero apenas chorar toda a minha mágoa, quero sair depois e beber tudo que ver pela frente, quero sair carregada nos braços de alguém que me aguente, e que depois me escute e entenda todos os meu lamentos! Odeio o amor, odeio sentir o amor, nunca mais vou amar alguém!"

-

E seus pensamentos tristonhos lhe tomaram até poucos minutos antes do clarear, quando finalmente conseguiu dormir, depois de jorrar todas as suas lágrimas de um amor que virou ódio. Mais uma vitrine foi quebrada.

-

Carol,
minha pequena, minha menina,
esqueça das suas dores,
esqueça dos seus amores
e venha curtir a vida.
Venha quebrar mais vitrines,
venha confirmar as verdades que todos lhe dizem,
venha provar a si mesma o quanto há dentro de você de fortaleza.
Venha Carol, venha mostrar seu poder e sua força de querer.



Carol, minha criança,
não cegue seus olhos pelo o seu ser.
Ainda há muito de melhor em você,
ainda há muito à desvendar.
Tire suas vendas Carol!
Olhe! Olhe para o sol,
aquele sol do final da tarde
é o mesmo sol do início do dia.
Entenda, pequena Carolina,
as pessoas nunca vão lhe compreender
nem lhe entender por inteiro.
Não há nada tão perfeito
que possa ser dito e feito
de acordo com nossas vontades e desejos.


Carolina, olhe para as rosas
elas tem várias cores.
Elas também tem vários espinhos.
Observe que por trás da sua beleza há também o disfarce da maldade.
Note, Carol, que todos somos assim,
como rosas.
Carol, pequena, serena,
conforme-se com a realidade,
não voe tanto pelas nuvens.
Entenda, Carol, que você é diferente
você voou muito longe da gente
e retornar para este estado decadente
dói muito.



Carolina, quebre mais vitrines
mas não se parta, não se destrua.
Simplesmente aprenda com a ruptura
e entenda os sentimentos inversos aos seus.
Compreenda, anjo luminoso,
que seu coração ainda é jovem e carinhoso
e precisa de muita atenção.


Carolina, pequena, meiga
quebre as vitrines
que discordam do que há nas suas veias
e entenda seus defeitos.
Abra seus olhos e olhe o espelho que te reflete
ele é você Carol,
você invertida.
Olhe bem para ele
e tire do seu inverso
aquilo que pode ser melhor.


Carolina, troque estes cacos
que estão dentro de você
por uma vitrine metafísica,
onde você possa sair dessa cavernas de sombras
e correr livremente em direção à sua realidade.
Carolina, por favor,
tire este espelho
e troque pela sua vitrine.



Para Carol Oliveira, a minha acerolinha, a menina das vitrines, a mestra. ;)


MarinaV.

sábado, 28 de agosto de 2010

Revolucionária



Ela não é apenas uma qualquer que caminha por aí querendo fazer a diferença. Ela simplesmente é aquela que FAZ a diferença. E sabe muito bem disso.






Na sua cabeça, tudo tem que ser certo e radical. Não radical no sentido de mudar bruscamente, mas no sentido de melhorar rapidamente. Na sua cabeça, as pessoas tem que votar em candidatos que elas confiem e achem corretos, não em candidatos que lhes favoreçam; na sua cabeça, homens gostam de mulheres difíceis, não daquelas que ficam nas esquinas rodando a bolsinha; na sua cabeça, passar no vestibular é tudo o que lhe resta; na sua cabeça, brigar com alguém da família e ficar de mal é errado e pode se tornar um erro mais grave.






Ela é ainda a criança meiga que sempre existiu ali, que ainda acredita no melhor do ser humano, que ainda acredita na capacidade de mudar do mundo, que ainda acredita no lado bom das pessoas, que ainda acredita na não-corrupção, que ainda acredita no potencial que toda mulher tem para ser mãe, que ainda acredita que seu jeito de bater o pé e discordar daquilo que não lhe convence vai fazer com que todos ao seu redor escutem as suas ideias e vejam o mundo como ela.






Ela já é a mulher brilhante que vejo no futuro. A mulher que vai lutar por aquilo que quer, que vai fazer a diferença em todos os setores da sua vida, que vai ser uma boa mãe - e um bom pai - se for necessário, que vai falar o que pensa, que vai opinar, que vai discutir e que vai revolucionar. Porque assim é sua personalidade. Revolucionária.






Apenas uma mulher que quer ser notada pelo o que é, pelo o que pensa e, acima de tudo, pelo o que sente. Porque sua cabeça é o que ela fala, e suas atitudes é o que o seu coração segue. Suas brincadeiras tentam esconder e ao mesmo tempo revelar o quanto o seu ser é humado e puro. O seu ser faz a diferença, é a diferença. O seu ser é revolucionário.



Para Gabriela de Almeida Furtado, a amiga revolucionária que salva o meu cotidiano com os nossos papos cabeça e as suas revoltas xD~

MarinaV.

domingo, 22 de agosto de 2010

Irmão


Me vejo, continuamente, pegando o celular e mandando mensagens para o dito cujo. Ou simplesmente correndo pro Msn e rezando para que o computador ligue rápido.

Eu tenho necessidade de contar para ele o que aconteceu comigo durante o dia. Necessidade. Necessito também ouvir as palavras de conforto dele, ouvir as loucuras dele e rir. É tão bom quando ele me faz rir...!

Eu me sinto mal quando não posso falar algum segredo para ele. Me sinto péssima em passar um simples dia sem ele. E adoro quando todo o meu tempo é dedicado apenas para contar minhas história diárias à ele.

Se eu o amo? Sim, amo muito o meu irmão.

Para o Danilo, ossinho, Dandanzinho mais amado do mundo ;**

MarinaV.

Amigos?


E finalmente agora, depois de tanto tempo, eu consigo olhar para trás sem fechar os olhos ao nosso passado. Eu consigo pensar em você sem sentir o vazio subindo e me tomando por dentro. Eu consigo entender os tantos por quês que tinham na minha cabeça e que agora não fazem mais sentido. Agora, finalmente compreendo.

Quando tudo acaba, e o fim nos incomoda, temos a mania de discordar de que o final pode ser bom, pode ser um novo começo, pode ser uma nova oportunidade, pode ser uma nova aventura, pode ser um novo horizonte. Afogamos essas ideias e ressaltamos aquelas que mais doem. Não deveria ser assim.

À mim, não resta mais nada além de um recomeço da nossa amizade. Basta você querer também e eu serei sua amiga. Porque agora entendo o quanto o fim é bom. O fim... É maravilhoso!

MarinaV.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

45%


Eu não vi, mas ouvi meu professor de literatura, Alex Romero, lendo um jornal em sala de aula, um jornal que não passou pelas minhas mãos. Não quero sujar minhas mãos com esse número tão vergonhoso e tão crítico. Ele leu em alto e bom tom para os quase 30 alunos da sala ouvirem perfeitamente, que 45% DOS JOVENS BRASILEIROS NÃO LEEM SEQUER UM LIVRO POR ANO. A essa naçãozinha de nacionalistas hipócritas, que há poucos dias estava gritando que amava o seu país, que dava tudo para o seu país na copa, não demonstrou nenhum tipo de revolta com relação a esse número. Claro que o fato de termos sido o oitavo melhor país do mundo em futebol revoltou a todos, mas 45% dos jovens brasileiros sem ler um livro é normal. Virou normalidade.

Já tinha visto casos um tanto absurdos na minha vida. Mas nunca tinha visto um caso tão absurdo como este, da pessoa se matar por dentro, se deteriorar, se destruir aos poucos. Sim, se destruir. Afinal de contas, para quê uma pessoa sem leitura serve no mercado de trabalho? Qual o impacto que uma pessoa sem leitura causa nos outros? Qual a função de um ser que lê pouco e não construiu caráter, habilidade, compreensão e, principalmente, inteligência? Claro que são casos absurdos o de matar a própria filha (Nardoni), o de matar a namorada para não pagar pensão (goleiro Bruno), o de matar a filha da mulher a não sei quantas facadas e estuprá-la (caso aqui de Teresina)... São todos casos absurdos. Mas nunca tinha visto toda uma nação se destruir conjuntamente e se deixar levar pela burrice como a nossa.

O que nós brasileiros estamos pensando disso? Estamos esperando que o nosso candidato não nos enrole? Não seja corrupto? Não roube, não engane, não cometa crimes? Para mim um canditado analfabeto, corrupto e criminoso seria o melhor representante do nosso país. Nós nos corrompemos de cedo, na hora da pesca da prova, o que futuramente nos levará a um desinteresse pelo estudo e ao pré-vestibular, e depois a uma faculdade particular. "Dinheiro compra tudo".

Precisamos parar de ser esse povo medíocre que se conforma com o mínimo. Nós podemos mais. Muito mais. Nossa lábia de sem vergonha poderia servir não para abandonar os livros, mas para abraçá-los e conseguirmos ganhar a vida com discursos magníficos, não roubando qualquer coisa por aí. Eu acredito que poderíamos ser mais. Ainda acredito que um dia formaremos uma nação de seres mais humanos, de seres mais puros, de seres mais exemplares para os outros países. Na situação que estamos, somos um exemplo do que um caráter tão vagabundo trás ao nosso país.

Por que amamos tanto a nossa pátria na hora do futebol, na hora das olimpíadas, mas a ignoramos tanto na hora de ler e de escrever? Por que não usamos nossa lógica de que tudo é simples para estudar, para aprender, e não para roubar, matar, furar fila e desviar verbas? Por que nos conformamos tanto com o médio e não pensamos mais na nossa capacidade de ir além?

Sei que Machado de Assis não é tão fácil de interpretar, mas se valorizamos tanto a nossa pátria, por que não valorizamos o que é nosso? Por que nossos olhos não brilham mais ao lermos Carlos Drummond de Andrade? Por que não admiramos mais o Fernando Sabino? Por que as crianças não leem mais Manuel Bandeira e Monteiro Lobato? Por que não paramos mais para observar nosso cotidiano com as crônicas de Arnaldo Jabour e Luís Fernando Veríssimo? Por que gritamos para as telas de Crepúsculo e não gritamos para o melhor filme brasileiro, O Auto da Compadecida?

De tudo, o que fica mais claro é a mensagem do meu professor ao final da leitura: "O livro não sai perdendo nada com isso".


MarinaV.

sábado, 14 de agosto de 2010

Ainda não passou


Passa o tempo, passa o ano, passa o mês. Passa a hora, o minuto e o segundo. Tudo quanto era de tempo passou. E eu me iludi com a ideia errônea de que o tempo tudo cura, tudo passa. Mas você não passou para mim.

Você continua sendo quem eu penso quando abro os olhos. Continua sendo quem eu penso quando olho fixamente para o telefone. Continua sendo quem eu penso quando estou feliz e quero alguém para dividir minha alegria. Continua sendo simplesmente quem eu penso. E eu iludo meus sentimentos achando que você me esqueceu, que você me deixou, que você já não existe mais para mim. Mas eu não te esqueci, não te deixei.

Eu apaguei as fotos, apaguei os textos, enterrei todas as lembranças concretas do que ocorreu, mas não apago as abstratas. Elas me acompanham naquela minha pausa para tomar um café no trabalho, ou quando estou debaixo do chuveiro lavando meu rosto.

Aquelas rosas murcharam. Estão ali no canto. Minhas unhas estão por fazer. Meu cabelo está natural. Minha maquiagem está na gaveta lateral do armário, talvez com alguma poeira. Meus saltos eu doei para alguém que estivesse com algum motivo maior que o meu para usá-los.

E mesmo que todo final da tarde de um domingo me preencha com a vontade de invadir a tua casa e deixá-la em cinzas, meu outro lado tem vontade de te encontrar numa segunda-feira na beira da praia, após o trabalho, para passearmos abraçados por aí apenas rindo do quanto é bom amar.


É difícil admitir o quanto acabou. E ainda vejo lembranças todos os dias, ainda tenho notícias suas e o meu vínculo indireto com você está longe de ser desfeito. Muito longe.


MarinaV.

domingo, 1 de agosto de 2010

Anúncios


Primeiro anúncio:
Saiu de moda. Porque todo mundo já sabe. O povo gosta é da desgraça nova, não da velha. Mas não custa nada relembrar dele. O famoso aquecimento global. O mundo tá se acabando porque não nos contentamos em destruir apenas o que tá no chão e passamos a destruir também a camada de ozônio. E a sua destruição facilita a entrada de raios solares, porém estes ficam bloqueados para sair da Terra, aquecendo-a mais do que o necessário. O mundo tá derretendo. Mas isso não importa. O que importa é usar bolsas da DolceGabanna, óculos escuros da Calvin Klein e roupas da Prada.
Segundo anúncio:
Diz respeito ao Brasil. Mas acho que os brasileiros ainda não se tocaram. Uma das maiores fontes de cura do planeta tem sido destruída por norte americanos, não pelos próprios donos. Ela serve para produção de remédios que ainda serão testados nas pessoas, que são rebolados por aqui mesmo, pelo Brasil. É um patrimônio nosso, mas ninguém se importa. Afinal, que coisa mais brega essa, de valorizar o que tem... Bom é o que é dos outros.
Terceiro anúncio:
Poluição. De todos os tipos. Causa danos à saúde. Mas pra quê saúde, se tudo se compra? O dinheiro compra tudo, o dinheiro é sinônimo de felicidade e quem tem dinheiro tem tudo. A poluição é apenas um problema de quinta que incomoda aqueles alagados, quando tem enchentes, que incomoda quem mora perto dela e que incomoda aquelas pessoas que não tem sons no seu carro. Quase ninguém, no final das contas.
Quarto anúnio:
Preconceito. Fora de moda? Claro que tá! Afinal ninguém mais chama ninguém de negro, fizeram até umas cotas pros coitadinhos, assim como também fizeram umas cotinhas para esse povinho das escolas públicas, porque afinal de contas, melhorar o ensino é algo impossível. Tudo se paga. E ensino bom é aquele que é pago.
Quinto anúncio:
Todo mundo precisa se globalizar hoje, afinal de contas, a internet tá aí pra isso. Pra você saber que dia vai ser o show do Restart, que dia vai ter aquela balada lá na boate, que dia vai começar o BBB. Essas notícias de política são muito caretas e entediantes, pra quê saber disso?
Sexto anúncio:
Bom mesmo é sair pras festas e pegar todos. Sentimentos são coisas velhas, ninguém mais precisa disso não! O negócio agora é só de ficar, ficar e ficar. Apenas beijar na boca de um qualquerzinho aí que seja bonito, não precisa saber o nome não, e pronto. Realizar-se fisicamente. Porque, afinal de contas, sentimento é uma coisa de moda antiga. O que importa é o dinheiro. Por dinheiro, eu vendo até minha mãe na feira.
Sétimo anúncio:
Revolta? Corre que deu a louca! Quem é que vai fazer revolta, minha gente? Todo mundo se conforma com o que tem que tá muito melhor, afinal, a paz é sempre melhor. Pra quê reclamar de impostos, de filas grandes, de injustiças? Deixa que as autoridades resolvem.

Meu comentário:
Quer saber? Vou esperar por 2012 mesmo, vou ficar calada. Não entendo a decadência do ponto ao qual chegamos. Talvez a realidade cause tanta dor que cegamos os nossos olhos de propósito e fingimos que ela não existe. Mas o ser humano anda muito desumano. Chegamos ao ponto de sermos governados pelo dinheiro, abdicarmos dos nossos sentimentos e acima de tudo perder a liberdade de expressão.
Parabéns para nós, humanos. Conseguimos nossa maior proeza. Destruímos a nossa vida, o mundo e a nossa capacidade de pensar.

MarinaV.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

É tudo que nos resta


Ele me chamou quando eu ainda estava entre os amigos. Falou baixo. Disse que queria conversar comigo. Não vi a minha expressão naquele momento, mas tenho certeza que deixei nela bem claro o quanto eu consideraria aquela conversa inútil, afinal, depois de tanto tempo (para mim, já havia passado muito tempo) não havia mais nada a dizer, a conversar, a reclamar, a discutir. Nada. O que existiu entre nós havia acabado, e tive a impressão de que para ele ainda restavam algumas esperanças.

- Acho que temos muito o que esclarecer - disse-me ele assim que chegamos em um canto onde estávamos a sós e ninguém podia nos ouvir.

Não, a minha resposta não foi ensaiada. Foi simplesmente o que eu queria dizer. Ele abriu a boca para falar mais algumas coisas, com certeza inutilidades. Dizer que a gente ainda podia tentar, que ainda havia chances para sermos felizes juntos, que bastava eu dar mais uma chance, que eu agi por impulso e que tomei iniciativas erradas... Coisas que ele já havia me dito, pouco antes de tudo acabar.

Eu o interrompi. Ele me olhou como se esperasse algo positivo, mas eu já sabia o que eu queria. O seu olhar já não me encantava mais, o seu cheiro tornou-se comum para mim, suas expressões não me diziam nada mais do que o que aparentavam, e isso me deixava feliz. Realmente acabou para mim.

- Escute, ouça. -E me calei por um minuto.

Ele esperou eu falar algo, mas perdeu a paciência e disse:

- O que significa isso?

- Isso é o que nos restou - falei.

- O quê?! - Ele perguntou.

- O silêncio.


MarinaV.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Depressão




Ela é uma mulher sombria. Se pudesse ter cor, acho que não teria. Ela é a mistura de toda a beleza com toda a tristeza, de toda a indecisão com toda a emoção. E quando ela chega, ela toma e domina tudo.




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Meus olhos estão abertos. Me sinto caída ao chão, mas acho que estou deitada na cama. Não importa, nada mais importa. Queria chorar, mas minhas lágrimas esgotaram. Ela me esgotou. Não tenho motivações, não tenho razões, tenho pressa de perder o sopro vital. A vida... É dura e difícil para mim. Talvez nasci para isso. Para morrer com medo dos desafios.


Eu sinto ela. Ela é esta escuridão aqui, ao meu lado, que deita a minha cabeça nas suas pernas, que passa as suas mãos em meus cabelos, que parece me acalentar, mas que puxa para um precipício. Ela é este líquido sobre o qual eu me deito. Eu sinto ele, mas ele parece não molhar. Ele é preto, um preto escuro e sombrio, como se juntasse todo o mal em um frasco e o derramasse aqui. Ela é o ar que eu respiro. Este maldito ar pesado, que entra dando socos no peito, que dói de ser respirado.


Ela é cada lágrima que desce agora voluntariamente do meu rosto, sem ordens ou motivos. Ela é minha consciência insana, minha consciência que ela toma e domina, que ela controla e manipula sem muito esforço. E ela sussurra ao meu ouvido, me chama de fraca, me chama de perdedora, me chama de inútil, me chama de morta. E eu acredito.


Não sei se ela é boa ou ruim. Ela simplesmente existe e está aqui. Dentro de mim. Mas não consigo arrancá-la.




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Eu sou aquilo que você acha que quer ser. Sou todos os motivos do seu sofrer, e talvez todos os motivos do que você queria fazer. Não tenho motivos para chegar, mas posso ter para sair. Posso te acalentar, posso te fazer sentir-se melhor, basta você me deixar te seguir. Por um momento, infímo e distante, conseguirei te fazer feliz.


E esse momento dura apenas sua morte.




MarinaV.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O começo do fim


Não se cale
nem me deixe soltando injúrias sozinha.
Não finja que não se importa
nem finja não se importar com o que digo.

Me obrigo a dizer sim para meu ego
do que me passar por tola batendo na sua porta.
Não sou sua maleável criancinha
para escutar suas reclamações de "fale, apenas fale"

Que se dane seus beijos,
seus abraços e seus cheiros.
Que se dane as frases feitas,
os sentimentos vividos e a dor futura.

Desamarro nosso laço
sem empreitas ou suspeitas.
Apenas esqueço teus fios louros
e meus sonhos e desejos desfeitos.

Deixo para trás essa alegoria,
essa maldita teoria
de que amar alguém é tudo na vida.

Te amar foi minha estadia
nesse mundo onde um dia a gente ria
e estar com você não passava de alegria.


MarinaV.

Triste fim de Clara


Esqueça. Esqueça. ESQUEÇA! Tire da sua inútil cabeça, tire sua inútil! Você não passa se uma vagabunda... Isso mesmo. Uma puta desqualificada, que apenas se ilude em cima de um homem que lhe jura amor, mas que no fundo apenas se contenta em te pagar em troca da ilusão de um carinho. Não derrabe lágrimas inútil, sua imbecil!! Não chore suas lágrimas indignas, suas lágrimas de um passado tão distante e mal vivido. Tudo é culpa sua, Clara, culpa sua...

Aonde me vejo agora? Tenho uma Ferrari para cada dia da semana, compro quadros caríssimos para enfeitar as paredes inúteis desse chiqueiro em que vivo. Compro compulsivamente, gastando o dinheiro deste otário que agora deita ao meu lado, sobe essa sua mão imunda de dinheiro pelas minhas pernas, me chama de "gostosa" e acha que eu vejo vantagem. Que imbecil! Mas eu aceito, passe essa sua mão enriquecida aonde quiser, sua puta está aqui se oferecendo. Suba e desça sua língua pelo meu corpo, não me importo. O amor se foi pra mim. O meu amor... se foi... pra mim...

Aonde me vejo agora? Antes, apenas uma adolescente como outra qualquer, se não fosse pela minha arrogância e egoísmo, como outra qualquer... Indo para seu primeiro dia de aula da universidade, aonde conheci ele. O amor...Ele é incrível. Se esbarra com a gente por acaso na vida, nos oferece oportunidades de cedermos o nosso eu para vivê-lo, e eu, esta puta imbecil, joguei todas fora. Estou pagando minha conta agora. Vamos, ordinário, me morda, pegue nas minhas pernas e sinta cada milímetro do meu corpo, enquanto eu ignoro a existência de cada milímetro do seu.

Aonde me vejo agora? Cadê aqueles olhos castanhos que me motivavam? Aqueles braços que me apertavam contra seu corpo, me fazendo sentir seu perfume maravilhoso? Perdi meu colo de consolo, perdi meu olhar de motivação, perdi o único beijo que soube realmente me tocar, perdi o único amor que soube realmente me amar. Miserável! Me jogue nessa sua cama inútil, me leve ao chão! Isso mesmo, me chame de puta, me bata! Eu pago a sentença, eu aceito a sentença.

Aonde me vejo agora, meu amor? Quem me dera se desse tempo de voltar atrás... E como eu iria gostar. Sentir de novo a brisa do mar naquela praia, te beijar e rolar na areia como naquele dia, me lembrar das loucuras de amor que você fazia, que eu movia apenas para preservar meu ego. Ele não tinha lá boas condições financeiras, e eu o rebaixava por isso. Julgava-o incapaz de me dar presentes caros, e quando menos esperava, lá estava meu colar de pérolas, meus brincos de diamantes, os vestidos luxuosos, as bolsas... Dinheiro... Sinto o cheiro de dinheiro ao lado desse velho que se deita perto de mim, que beija meu rosto e diz que eu "mandei bem"... E odeio o cheiro.

Aonde me vejo agora? Me chamo Clara. Clarice Oliveira Dantas. Aprendi francês, inglês e espanhol. Fui mimada o suficiente para ser burra, fui idiota o bastante para fazê-lo sofrer. Mas ele me chamava de Clara, porque eu era "límpida, leve e distante", como as claras nuvens que ficam no céu. Isso me faz rir... Não de alegria, de ver graça, mas de desgosto... Não havia ninguém mais límpido que ele, mais leve que ele, e tão perto de mim do que ele... Que ironia. Cuspi na minha felicidade. Joguei tudo para o alto e atirei no escuro. E o tiro acertou o alvo. "Clara Branca. Clarice Oliveira Dantas Branco. Você gostaria de ter meu nome no seu?" Ah, meu bem... Como eu gostaria de voltar...

Aonde me vejo agora? Ao lado de um idiota, derrabando lágrimas que ele julga de prazer, mas que são de profunda dor. Quero partir dessa vida, eu tenho péssimas lembranças! O que eu fiz, o que eu fiz?! Destruí minha alegria, meu único amor, minha razão de vida. Eu quero a dor da morte, eu mereço tal dor. Não, mereço dor pior. Tenho que permanecer viva, continuar sendo uma miserável qualquer, a puta deste ricaço, aturando as noites com ele ao lado, tirando a minha roupa como se eu fosse prêmio e deitando nessa cama, nesta maldita cama!!!

Apague, delete, destrua essas lembranças! Esquece aquele dia, esquece a maldita arma, esquece a brincadeira!! Esquece imbecil!! "Você gosta de brincar com fogo, minha Clara?" Sai da minha cabeça perfume dominador, sai do peito dor enorme! Não me derrube, não deixe as lágrimas me deixarem no soluço... Não posso sentir dor por isso... Não posso... "Gosto do fogo, posso disparar o tiro?" Saiam da minha cabeça risos idiotas, sai da minha cabeça som de bala, sai, sai, SAI!!!

É triste admitir os erros da vida. E este é o meu. Disparo agora este tiro na minha cabeça pensando na dor do peito dele ao sangrar aquele sangue vermelho, vermelho como a nossa paixão nas noites de verão, vermelho como as minhas lágrimas que agora escorrem.

Aonde me vejo agora? Caindo, como se cada segundo da queda demorasse uma hora, chego ao chão e sinto, pelo a última vez, o gosto... Daquele beijo... Da praia... Verão.


MarinaV.


Nota: Texto baseado no conto de Lygia Fagundes Telles, Apenas um saxofone. O nome Clara veio do livro Clara dos Anjos, de Lima Barreto. O sobrenome Oliveira e Dantas pertencem à duas amigas minhas, Carol e Bruna, respectivamente.

Prazer, sou Brasileiro



Sim, sou brasileiro. Aquele lá, que passa nas propagandos governamentais sendo descrito como um lutador, o que nunca desiste. O que faz tudo para melhorar a nação.

Que dane-se o vocabulário o culto, as mentiras e falsidades da ideologia televisiva das propagandas. Quanta idiotice afirmar isso!

Brasileiro somos nós. Aqueles que sempre dão um maravilhoso "jeitinho" em tudo, aqueles que vivem fugindo às regras. Que geram os enormes problemas do país e sempre culpam os governantes. Sim, somos estes brasileiros.

Aquele que fura fila e fala do mensalão, aquele que prende o sujeito mal vestido das ruas e deixa os de terno soltos, aquele que critica tudo mas não percebe os outros dedos que apontam para ele próprio, aquele que não sai em paseatas, que não luta pelos seus direitos, aquele que se conforta com a sua situação medíocre de viver. O mediano é bom para o brasileiro. Tudo na vagabundagem é bom para o brasileiro.

Sim, nos somos estes miseráveis. Sabemos apontar, criticar e mostrar o errado. Mas por que não concertamos os nossos erros? Ou afinal, somos o espelho da perfeição?

Aponto de cabeça erguida, sem medo de críticas e de batalhas: o problema do Brasil é este. Nós, medíocres brasileiros.

Prazer, sou Brasileiro. E este é o meu jeito. Acabo com o meu país e ainda tiro proveito. Prazer, cumprimentem à mim. Mereço o grande mérito de medíocre.





MarinaV.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ela sofreu


Nasceu como uma criança normal. Senão pelo fato de ter nascido de 7 meses. Lutou um pouco para sobreviver, afinal, na época a medicina não era tão avançada e os cuidados para ela sobreviver foram tomados na própria casa. Ela cresceu como outra criança qualquer, apesar da família ter passado por dificuldades e dela ter que ajudar a mãe no trabalho. Ela sabia disso. E não se arrepende. Já disse uma vez, sou prova disso porque estava lá, que se fosse possível, voltaria atrás e viveria tudo de novo, porque foi uma época boa da sua vida.

Ela estudava muito. Acordava muito cedo para estudar. Seu pai estranhava, a mãe não fazia muito caso. Mas ela gostava. Ela adorava estudar. Disse-me, uma vez, que se "agarrava" nas matérias mais difíceis, para depois ir para as que ela gostava. Dizia que ia fazer engenharia civil. Porém, a gente tenta planejar algum futuro distante na nossa vida, só que as consequências do presente nos desviam para caminhos jamais imaginados.

Engravidou e casou-se cedo. Passou a viver o mundo do marido e perdeu suas amizades. Não perdeu as irmãs, que, sempre unidas, estiveram e estão ao seu lado. Seu primeiro filho foi muito mimado. O que, futuramente, rendeu muitos problemas. Teve outro filho, mas este não resistiu. Nasceu cedo demais, assim como a mãe, aos oito meses, mas não conseguiu permanecer na vida. Ouvi dizer que ele nasceu mesmo pra isso, para morrer, porque não havia criança mais linda do que ele. Teve uma filha, por fim, que ela aprendeu a não estragar. Porém, a moça caçula ficou deficiente em várias coisas. O filho sugou muito a atenção dela, e ela, numa atitude de erro desesperador, cegou os olhos e não viu o que faltou para a filha.

É uma mulher muito inteligente. Vários diplomas na mão, mas o sonho de ser engenheira civil não passou disso. Um sonho. Tem vários problemas. Falo de doenças. Sem contar em ter que aturar as pessoas da sua casa, sempre lhe trazendo problemas e problemas da rua. É uma pessoa cansada. Carregou por demais muito peso durante a vida. Carregou mais pesos do que o seu corpo suporta. E ainda os carrega.

Talvez você ache que ela não é feliz. Mas ela tem um pedacinho de felicidade, abrigado num pedaço do seu coração, ou melhor, no maior quarto da casa, naquela cadeirinha sempre olhando para a televisão. O seu bebê, antes seu pai.

Ainda vejo sim, a felicidade ali. Refletida naqueles seus olhos escuros e cansados. Ela acha a sua felicidade olhando para os olhos azuis e dopados de um homem que já foi corajoso, que já foi guerreiro e muito inteligente, mas que hoje reflete apenas as loucuras de uma vida, que hoje não passa do seu bebê. Ele é sua fortaleza.

Ela sofreu. E venceu.


MarinaV.


Para minha tia, Berta Lucy, demonstrando toda a admiração que tenho por ela.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"This time for Africa"


Esse é o momento para o sentimento nacionalista de todo o mundo transbordar através de gritos, pulos, risos e diversos gestos, sejam de raiva ou de alegria. É copa. E cada país irá torcer para o seu time, mesmo com as ovelhas negras que têm por aí que torcem para os adversários. Isso não importa. O que importa é que fica claramente visível o nacionalismo vibrando junto com cada trocedor na Copa do Mundo.

Talvez alguns achem idiotices, outros achem vital, outros comportem-se como manda o figurino, mas nessa copa eu quis torcer MESMO pelo Brasil. Não pelo fato de achar que vai ganhar, ou pelo fato de querer dar uma de nacionalista, mas acho que abri mais meus olhos e consegui ver que os problemas do Brasil estão em nós mesmos, não no Brasil.

A África, um continente que enfrenta vários problemas, que possui diversos índices ruins, países com muitos problemas, onde a riqueza foi completamente roubada, o povo foi escravizado por muito tempo; um continente que luta pra crescer, para melhorar... Mesmo com uma série de fatores que todos nós conhecemos e sabemos que esse continente apresenta, está hoje abrigando uma copa do mundo. E muito bem abrigada.

Claro que nós esquecemos que é na África que fica uma das maiores cidades do mundo, que foi da África que veio a mão-de-obra escrava para sustentar a riqueza de quase todos os países do mundo, claro que ofuscamos o que há de bom no país, que apenas reclamos, apontamos os erros e esquecemos de ajudar. Esquecemos de bater o pé, de lutar pelo justo.

A África está abrigando a copa e daqui a 4 anos será o Brasil. E mesmo com corrupção, mesmo com os nossos problemas sociais, a próxima copa também será muito bem abrigada. Aqui, no nosso país. Porque nós somos brasileiros, nós desacreditamos no nosso próprio potencial, mas eu acredito que estamos tendo, agora, uma chance de mostrar para o mundo o quanto o nosso país é maravilhoso.

This time, now, is for Africa. The next time will be for Brazil.

;D


MarinaV.

domingo, 23 de maio de 2010

Soneto da União


De repente do pranto fez-se o riso
Amigável e alegre da ternura
E das bocas desunidas fez-se a loucura
E das mãos soltas a união de sorriso.

De repente do solto fez-se unido
Que dos olhos fez o brilho
E do pressentimento fez-se o mudo
E do imóvel movimento fez-se o trilho

De repente não mais que de repente
Fez-se do amigo o amante
E da junção a alegria da gente

Fez-se do simples amigo o contente
Fez-se da vida uma aventura triunfante
De repente não mais que de repente.


Nota: sou muito revoltada com esses poemas da vida. Sempre falam do amor, principalmente das desilusões, e esquecem de falar da parte boa, como o começo. Como eu gosto muito do Soneto da Separação, que também mostra o lado triste do amor, resolvi fazer esse. Não ficou decassílabo, com rimas bonitinhas, mas é soneto ;D


MarinaV.

sábado, 22 de maio de 2010

Eu tenho uma Pequena


Siim, eu tenho uma Pequena. Ela é baixinha, muito fofa e dá vontade de apertar. Ela me entende, me ajuda, dar uma de mãe e cuida de mim.

Me lembro sim, jamais vou esquecer, daquele dia que simplesmente cai no choro de tal forma que me afoguei nas lágrimas e eu sei quem estava do meu lado segurando meu corpo, sei quem me deu a mão para eu segurar e me levantar, sei quem enxugou minhas lágrimas na sua roupa e quem disse que tudo ia melhorar.

Me lembro que já fui na casa dela. Me lembro do livro de química em cima da mesa, do estudo passo-a-passo, da calma, de toda a força pra me ensinar, pra me ajudar. Da maravilhosa hospedagem grátis, do carinho que a Pequena me tratou.

Me lembro, nesse exato minuto, que ela tá muito longe de mim. Ela é Pequena, mas ocupa um espaço enorme no meu coração. E ela me faz falta. Nossos estudos, nossas conversas, o ombro amigo, os conselhos, os cuidados, as ajudas...

Isinha, como você faz falta! :'(


MarinaV.

Casa da Bruna


Eu fico entre quatro paredes verde limão. Meus risos ecoam pela casa. Eu converso com a Gatona e ainda participo das reuniões familiares, mesmo sem pertencer à família. O lugar é mais ou menos assim: a entrada dá uma sensação de calma, o quarto trás as lembranças de milhares e milhares de conversas, a sala é um flashback de vários filmes e fotos, cada passo em cada cômodo me faz relembrar de que vivi muita coisa ali e que aquele lugar pertence à várias recordações da minha vida.

Acalma. Dar paz. Me deixa feliz. Ao mesmo tempo que é meu depósito de angústias, é meu depósito de alegrias. Guarda diversos acontecimentos, para cada riso uma foto, para cada lágrima um abraço. E é um lugar que é eternamente vigiado por duas guardiãs que, depois que deixam você conhecer o maravilhoso local, tornam-se duas fadas madrinhas suas, que sempre lhe recebem com a calma de um anjo, a paciência de uma mãe, a paz de um espírito e o amor que só uma irmandade é capaz de entender.

Eu vou a esse lugar com muita frequência. Lá eu me encontro. Encontro o ombro de consolo das minhas fadas, as histórias engraçadas da fantástica tia Alice e os miados conversativos da Gatona. Encontro a amizade. Encontro uma paz interior. Por isso, acho que esse lugar merece esse texto simples, modesto e calmo para relembrá-lo sempre com perfeição.

Eu tenho um paraíso terreno. E ele é a casa da Bruna. (;


MarinaV.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ser Mãe


Ela carrega, limpa, orienta e ama.

Ela anima, brinca, sempre está disposta a tudo e nunca se abate.

A profissão que toda mulher vem destinada a ter: ser mãe.

Primeiro, ela descobre que tá carregando algo minúsculo, que já sente dor e já tem seu sistema nervoso ativado. Pode se abater no começo, mas depois a vinda do ser minúsculo a anima. Ele é seu, é fruto seu e todo cuidado com ele depende dela. Começa a comprar as roupinhas miúdas, os sapatinhos, o berço e tudo que ele tem direito. A família se prepara para a chegada do novo ser. Mas ela é quem está mais feliz por tudo.

Depois, chega o dia do parto. A família não sabe com o que se preocupar: com a mãe ou com o bebê. E pra ela, só o bebê importa.

É glorificante a hora em que ela pode pegar ele nos braços, ver ele, tocar nele, beijar ele de leve e sorrir pra ele, olhando nos seus olhos.

Depois vem outras glórias. Quando ele fala "mamãe", quando ele aprende a andar, quando ele vai pra escola, quando faz uma apresentação pra mãe no Dia das Mães... Enfim, são tantas glórias.

Mas toda mãe carrega um peso maior. Ela sabe que toda criança cresce, assume responsabilidades, tem que aprender a lidar com a vida... E o coração da mãe vive assim. Feliz por saber que tem um filho, triste por saber que ele habita esse mundo.


MarinaV.

Acabou


Ela queria chorar. Queria gritar. Queria correr para os braços de alguém que pudesse segurá-la em seu colo, consolá-la como uma criança que acaba de cair. A dor era grande. Era preferível ser uma dor externa, daquelas que você toma remédio e depois passa. Mas é assim, infelizmente. E às vezes, o tempo demora para curá-la. Demora a cicratrizar.

Sua dor. Sua perda. E não havia ninguém que pudesse fazer aquilo parar. Não dava pra voltar atrás. Por quê é tudo tão imprevisível, tão de repente, tão "Soneto da separação"? Talvez se pudesse ser previsto, mesmo que jamais pudesse ser evitado, talvez isso fizesse a dor diminuir...

Era tão nítido aquele último dia. Parecia tudo não normal. O último beijo não teve gosto de último beijo. Os abraços pareciam verdadeiros. Os sorrisos, o beijo no rosto... Tudo era farsa? Truque para enganar? Ela passou por objeto de uma farsa?

Não, as lágrimas não escorreram. Sua amiga estava longe demais para ela desabafar. Ele se fora. Tudo simplesmente acabou. E no fim só resta a você seguir em frente. Mesmo que você ainda esconda todas as fotos sem que ninguém saiba, mesmo que você se lembre de tudo querendo fugir das lembranças, mesmo que você deixe cair na eternidade os últimos momentos de vocês dois, mesmo assim, lutando contra seu passado, querendo ter uma memória de criança para poder esquecer tudo sem remorso e se livra da dor, no final, é assim. Você se apaixona de novo um dia, vive um novo amor, acha que vai durar pra sempre, o pra sempre acaba e novamente chega a dor. Mas é assim.

E, nessa hora, as lágrimas escorrem com o impacto. Tudo acabou.


MarinaV.