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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nostalgia

Olhando bem além do que o que ali estava sendo visto, no fundo algo doía bem profundamente, adentrando o consciente e ultrapassando o subconsciente. Era algo que doía, mas que tinha uma essência úmida e sombria de bom, proveitoso e até saudável. Sentindo o vento no rosto, seus olhos vagueavam para dentro sem desgrudarem do horizonte. Via todas as lembranças que agora gostaria de estar vivendo. Mas no fundo se sabe que tudo vai acontecer melhor.

E então, como previsto, um suspiro é abafado. Sem querer. Tudo ali estava tatuado, cravado e enraizado na mente. Tudo pertencia ao pensamento como se já tivesse nascido ali, para sempre. Talvez o significado profundo sobre o que se sente nesses momentos não seja traduzido. Não com palavras. É aquela curva do pensamento, um momento breve e supreendente que lhe encontra na esquina do corredor do seu trabalho, justamente na hora em que você estava fazendo o relatório. Não se tem explicação.

É um arrepio frio que vai subindo, subindo, subindo... E, quando você abre os olhos com eles já abertos, se vê justamente aquilo que não está se vendo, aquele momento da partida ou da chegada, porque tudo quando parte traz consigo algo, e ao mesmo tempo que se chega, se parte. E você vai se envolvendo em um momento único que não ocorre naquele momento, mas que é seu, só seu, íntimo seu. E que você quer viver naquele hora.

As imagens vão se entrelaçando de tal forma que o trilho da verdade já não é mais perceptível e se jura que tudo está acontecendo de novo. E então você rir para o nada. Pelo menos quem está bem ali no outro escritório pensa ser pro nada. Mas é pra lá que você sorrir. E seu sorriso é tão lindo e puro, seus olhos sorriem com uma estrelha no canto que brilha e que mostra todo o desenho que seu olho vê, mas que ninguém mais enxerga.

Chegam novos e-mails. Novos trabalhos. Novos afazeres. E toda a magia se quebra, o escritório fica tão próximo que parece estranho e inabitável, e tudo fica tão estranhamente estranho que não se entende o que se aconteceu. Tudo voltou ao normal. E é tão chato voltar ao normal...